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SOBRE ZYGMUNT BAUMAN

Possivelmente o sociólogo mais brilhante do último século, Zygmunt Bauman [1925-2017] nasceu na cidade de Posnânia, Polônia, no dia 19 de novembro de 1925. Acompanhar a trajetória pessoal do jovem judeu de origem pobre é narrar o desenrolar da história do século vinte: Bauman viveu o antissemitismo, o nazismo, o exilio, a guerra, a ascensão e queda do comunismo, a sociedade de consumo. Sua carreira acadêmica tem início em na Universidade de Varsóvia e termina na Universidade de Leeds, na Inglaterra.

Marcada pelo pensamento crítico e sensibilidade, sua extensa obra trata das transformações das relações sociais em nosso tempo e ajuda a compreender como nossa sociedade – a sociedade moderna de consumidores, líquida e individualizada – influencia a forma como vivemos, sofremos e enfrentamos nosso sofrimento. São análises que tocam em pontos dolorosos da nossa vida contemporânea: a fragilidade dos laços humanos, a velocidade das mudanças, a insegurança e a universalização do medo. Escreveu sobre temas variados e amplos: os projetos pessoais, o tempo, a tecnologia, a ansiedade, a violência, o amor, os vínculos de solidariedade. Refletiu sobre o que é necessário, hoje, para construção de uma existência propriamente humana.

Morreu em 09 de janeiro de 2017, aos 91 anos, na Inglaterra. “Cada morte é a perda de um mundo”[1], o desaparecimento inexorável de uma consciência singular. Bauman foi um intelectual nos termos de sua própria definição: uma pessoa que “continua acreditando que o derradeiro propósito do pensamento é fazer o mundo melhor do que encontrou”. E tal é o objetivo de sua crítica: ao percebermos o mundo tal como ele nos revela, vulnerável e temeroso, que busquemos ativamente oportunidades e formas de redimi-lo. O legado de Bauman é o dever da esperança e, por essa razão, seu pensamento será sempre uma indispensável referência e inspiração para nossos próprios mundos.

[1] Assim Bauman, citando Derrida, se referiu ao falecimento do sociólogo Ralph Miliband.

PARA SABER MAIS

Caso queira mais informações sobre Bauman, as sugestões de leitura são a publicação de Vinicius Siqueira no Colunas Tortas, os periódicos Cadernos Zygmunt Bauman da Universidade Federal do Maranhão e a coluna de Madeleine Bunting do dia 5 de abril de 2003, publicada no The Guardian.

Colagem da Academia de Belas Artes de Varsóvia
Caricatura de Hugo Enio Braz

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LIMA, A. A. Sobre Zygmunt Bauman, 2017. Disponível em; <http://www.ressonancias.com/sobrebauman>. Acesso em: dia/mês/ano.

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