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“A visão chinesa do momento inclui tudo até o menor e mais absurdo detalhe, pois tudo compõe o momento observado.” Jung, Prefácio ao I-Ching.

 

 

 

 

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Jason MARK, Purgatory on the C train.

Tradução livre das anotações de Heirich Zimmer (1980-1943) para a apresentação feita ao Clube de Psicologia Analítica  de Nova York, por volta de 1942.

         “O primeiro ensinamento que recebi pessoalmente do professor Jung, quando o conheci em Zurique, em 1932, não foi oral nem estava escrito. Fui ensinado pelo roteiro de um mero gesto, à famosa maneira dos mestres do budismo zen, que preferem ensinar sem palavras, por meros sinais e atitudes. Nesse caso, era um gesto de ambas as mãos e em uma delas ele segurava uma garrafa de gim. Você lembra como a doutrina excepcional do Budismo Zen surgiu. Uma vez, em uma assembleia de monges, o Buda tomou uma flor de lótus e, levantando-a acima da cabeça, mostrou-a aos discípulos. Um deles compreendeu o significado desse gesto, que continha toda a essência da sabedoria transcendental sobre a realidade. Ele sorriu para o Buda e o Iluminado sorriu de volta para ele. Esse foi todo o ensinamento e foi assim que o budismo zen surgiu, desapercebido, para ser transmitido desta forma através dos tempos. O lago Zurique não tem flores de lótus e nunca vi o Dr. Jung acenando flores nas mãos. Ele me ensinou derramando uma generosa dose de gim em um copo de limão espremido, que eu tinha na minha mão. Estávamos de pé juntos, no buffet no clube de Zurique, depois de ter feito minha primeira palestra em sua presença, sobre a psicologia do yoga hindu. Eu estava bastante entusiasmado com o privilégio de conhecer o homem que, em minha opinião, sabia mais sobre a psique humana do que outros homens vivos. Então, eu estava ansioso para obter suas críticas e perguntei-lhe ingenuamente qual era sua opinião sobre a ideia hindu do Si-mesmo transcendental, habitante interno do homem, subjacente tanto à personalidade consciente quanto à vasta profundidade do inconsciente, incluindo os arquétipos. Mas ele, sem nem mexer os lábios, enquanto da garrafa na mão direita ele serviu o gim, com o dedo indicador de sua esquerda, persistentemente apontou para o nível ascendente do líquido no copo, até eu dizer apressadamente: “Pare, pare, obrigado!”. Essa foi a maneira indireta, gentil e inspiradora do mestre zen de me fazer dizer “pare, pare” para minha própria conversa. Implícito estava o seu conselho de descer do alto nível da minha pergunta para fatos e prazeres mais terrenos, para abandonar o crescente vôo especulativo para as esferas transcendentais, que não pode ser alcançado por simples palavras ou concepções abstratas.”

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LIMA, A. A. Sabedoria Zen: o encontro de Heinrich Zimmer e C.G Jung. 2017. Disponível em; <http://www.ressonancias.com/sabedoria-zen-o-encontro-de-zimmer-e-jung>. Acesso em: dia/mês/ano.

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